Cigarro e perda auditiva: entenda a relação entre eles

Cigarro e perda auditiva: entenda a relação entre eles

Cigarro e perda auditiva: entenda a relação entre eles

Quando se fala de tabagismo, estamos tratando de uma condição que afeta a saúde pública. Estima-se que cerca de 1,3 bilhão de pessoas têm o hábito de fumar e, desse total, 80% são habitantes de países subdesenvolvidos.

Os números por si só já são preocupantes, mas são capazes de alarmar ainda mais considerando que o cigarro é o maior responsável não só por mortes decorrentes de causas evitáveis, mas também por patologias que poderiam não surgir.

Uma dessas consequências são os problemas de audição que, embora possam parecer naturais com o avançar da idade, são agravados em indivíduos fumantes. Que tal entender melhor a relação entre cigarro e perda auditiva?

A audição e seus componentes

A audição e seus componentes

A capacidade de ouvir e compreender os sons envolve o bom funcionamento tanto de estruturas anatômicas, como também fisiológicas. Isso significa que há uma série de interações mecânicas, físicas e químicas entre componentes da orelha e do sistema nervoso.

Para entender melhor sobre a perda auditiva, é preciso saber que a orelha é dividida em três partes: externa, média e interna, sendo que cada uma delas apresenta uma função principal.

As duas primeiras estão focadas na captação e amplificação do som. Já a interna é mais associada em transformar os estímulos sonoros em estímulos elétricos, que serão enviados para o cérebro, e lá haverá todo o processamento da informação.

Parece complexo, certo? Fato é que qualquer problema ou irregularidade nos processos pode levar a uma perda auditiva e, segundo a OMS, essa condição atinge até 530 milhões de pessoas mundialmente.

Diante de tantos componentes, a perda é classificada, ainda, em condutiva e neurossensorial. A partir da explicação já feita, fica claro que a primeira perda está associada às orelhas externa e média, já a neurossensorial envolve a orelha interna e as vias auditivas do sistema nervoso.

Vale ressaltar que a perda neurossensorial é aquela que ocorre com o decorrer da idade, conhecida também como presbiacusia. Seu mecanismo está relacionado com o acúmulo de agentes oxidantes ao longo da vida.

A cóclea e seu funcionamento

Tendo isso em mente, podemos concluir que a cóclea, estrutura presente na orelha interna, é sensível o efeito oxidativo. Embora ele seja natural, algumas situações são nocivas e agravam tal efeito, sendo uma delas o tabagismo.

Portanto, diante da exposição contínua à fumaça do cigarro, a cóclea pode ser danificada cada vez mais. Outro fator importante é a presença de receptores de nicotina, um dos elementos do cigarro, nas células ciliadas, presentes na cóclea.

Além desse efeito tóxico, o indivíduo fumante apresenta déficit na oxigenação do sangue, bem como problemas vasculares e sanguíneos, como: obstrução dos vasos e aumento da viscosidade. Tudo isso pode impactar na audição.

O cigarro e seus componentes

Você já sabe então que uma das substâncias que prejudica a audição é a nicotina. Ela é encontrada não apenas no cigarro, mas em todos os derivados do tabaco. Além disso, é a principal responsável pela dependência causada no hábito de fumar.

Outra característica dessa substância é a tolerância que ela gera. Sendo assim, requer cada vez maiores quantidades para atingir a mesma satisfação que era obtida antes. Com todos esses fatores, a tendência é o indivíduo continuar fumando e fazendo isso cada vez mais.

Fazendo então uma associação com o acometimento da audição, a tolerância e a dependência tendem a piorar os efeitos ototóxicos com o decorrer dos anos. Na cóclea, existe ainda uma estrutura chamada órgão de Corti, essencial para o processo de transformação dos estímulos sonoros em elétricos.

 A toxicidade que a nicotina gera nas células diminui a potência de transmissão de sinais, por meio da redução da oxigenação e, consequentemente, diminuição da energia disponível na estrutura.

Complementando os problemas auditivos, sabemos que além da exposição aos agentes tóxicos do cigarro, existe ainda a exposição aos ruídos. Assim, há uma combinação entre os efeitos do cigarro como também elevados ruídos externos os quais, juntos, potencializam a perda auditiva.

A prevenção de danos maiores

O hábito de fumar é sabidamente relacionado a uma série de patologias, as quais vão muito além de cânceres. De fato, os tumores malignos representam as principais, podendo ser de boca, laringe, esôfago e pulmões, atingindo também pâncreas, rins e bexiga.

Além disso, contribui para o agravamento de doenças sistêmicas, como arteriosclerose, aneurismas e acidentes vasculares, o que mostra como o fumo é nocivo para a vascularização. Ressalta-se também que os fumantes passivos também estão sujeitos a todos esses efeitos nocivos das substâncias envolvidas.

Estudos comprovam que a perda auditiva já foi observada até mesmo em ex-fumantes, o que indica que o efeito é permanente, além de acumulativo. Também foi observado no estudo o aumento do zumbido no grupo de fumantes. É um sintoma de relevância pois, assim como a diminuição da audição, é uma das queixas mais frequentes na clínica médica.

O zumbido representa então a percepção de um som sem que haja de fato uma fonte sonora. Isso acontece devido a um aumento das atividades ciliares, resultado de lesões nas mesmas. Assim, há o estímulo nas fibras como se houvesse de fato algo provocando o som.

Para acompanhar as condições auditivas, o melhor exame a ser realizado é a audiometria de alta frequência, que auxilia a monitorar e detectar precocemente algum acometimento na capacidade de audição.

Porém, a melhor forma de evitar os prejuízos do cigarro é buscando ajuda para cessar o tabagismo. Diante de todos os prejuízos causados pela perda de audição, ainda devem ser considerados os danos psicossociais, visto que pode levar o indivíduo ao isolamento, depressão e afastamento de atividades.

Portanto, a associação entre cigarro e perda auditiva envolve uma série de mudanças fisiopatológicas que levam ao mau funcionamento das estruturas envolvidas na captação e interpretação sonora, tudo isso provocado pelas substâncias nocivas do tabaco.

Se você é fumante e começou a perceber diminuição na capacidade de ouvir, procure ajuda! Com as orientações corretas, é possível minimizar os impactos do cigarro e, junto de seu empenho, seguir o caminho de abandonar o hábito de fumar.

Gostou do conteúdo? Compartilhe-o agora mesmo em suas redes sociais e ajude mais pessoas a descobrirem como o cigarro pode ser prejudicial para a audição!

Compartilhar este Artigo