Distúrbio do processamento auditivo: o que é e quais os sintomas?

Distúrbio do processamento auditivo o que é e quais os sintomas

Distúrbio do processamento auditivo: o que é e quais os sintomas?

Ouvir bem, mas não conseguir compreender o que é dito, trocar letras na fala e na escrita, ter dificuldade de interpretar padrões sonoros: você sabia que esses problemas podem indicar uma disfunção no sistema auditivo?

O distúrbio do processamento auditivo, muitas vezes, é confundido com dislexia ou transtorno do déficit de atenção, devido aos sinais semelhantes. Desse modo, é fundamental conseguir diferenciar tais condições, pois somente assim o paciente poderá receber o tratamento adequado para viver melhor e superar os desafios decorrentes do problema.

Interessado no assunto? Então, continue a leitura deste post. Assim, você entenderá melhor o que é esse distúrbio, quais são os principais sintomas e o que fazer para melhorar o dia a dia de quem tem essa disfunção. Confira!

Afinal, o que é o distúrbio do processamento auditivo?

Afinal, o que é o distúrbio do processamento auditivo?

Primeiramente, é preciso entender o que é o processamento auditivo. Basicamente, trata-se da capacidade do cérebro de utilizar as informações que chegam aos ouvidos. Em outras palavras, é o que o cérebro faz com o que o indivíduo ouve. Nesse sentido, o distúrbio do processamento auditivo central (DPAC) é um problema de interpretação do som. O paciente consegue detectar o som, no entanto, o cérebro não consegue compreendê-lo totalmente.

O distúrbio também pode ser denominado de transtorno do processamento auditivo ou disfunção auditiva central. Ele afeta as vias centrais da audição, isto é, as regiões do cérebro ligadas às habilidades auditivas responsáveis por uma série de processos, desde a detecção do som até a interpretação das informações sonoras.

Então, a pessoa que tem DPAC ouve claramente os sons e a fala humana, mas apresenta dificuldade de interpretar a mensagem recebida e os ruídos ambientes. Dessa maneira, o paciente não apresenta alterações no exame de audiometria, necessitando de outros exames para diagnosticar o distúrbio do processamento auditivo, pois se trata de uma falha no sistema nervoso central.

O que causa essa disfunção?

Há várias causas para o surgimento desse tipo de disfunção. As mais comuns são:

  • hereditariedade;
  • acidente vascular cerebral;
  • lesões cerebrais, como traumatismo craniano, tumor cerebral ou meningite;
  • otite de repetição;
  • envelhecimento natural do cérebro;
  • doenças degenerativas, como esclerose múltipla;
  • exposição a neurotoxinas, como envenenamento por chumbo;
  • problemas durante a gestação ou no momento do parto;
  • nascimento prematuro;
  • perda auditiva condutiva causada por otosclerose.

Quais são os sintomas do distúrbio do processamento auditivo?

Quais são os sintomas do distúrbio do processamento auditivo?

Os sintomas são variados e têm diferentes formas de manifestação em cada pessoa. Como vimos, o distúrbio pode ser facilmente confundido com transtorno de déficit de atenção ou dislexia, visto que o quadro é semelhante. Essa situação é mais comum em crianças e adolescentes.

Isso ocorre porque a criança não consegue processar de forma correta ou na velocidade adequada as informações. Como consequência, vai mal na escola, é desatenta e apresenta problemas na escrita, trocando as letras, por exemplo.

Vale ressaltar que a disfunção pode afetar indivíduos de todas as idades, mas é mais fácil de ser diagnosticada na infância ou na adolescência, justamente pelo prejuízo no aprendizado.

A seguir, veja quais são os principais sintomas apresentados por quem sofre com o DPAC:

  • dificuldade de memorização em atividades diárias;
  • piora do desempenho auditivo em locais ruidosos, pois os sons do ambiente podem fazer com que a pessoa tenha dificuldade de se concentrar no que o interlocutor fala;
  • dificuldade na compreensão de conceitos abstratos ou de duplo sentido, como ironias ou piadas;
  • lentidão para entender a mensagem, pois o paciente demora mais para processar as informações passadas;
  • entendimento equivocado e errôneo da mensagem;
  • desatenção e distração;
  • fadiga atencional em aulas e palestras;
  • necessidade de o interlocutor repetir ou explicar melhor a mensagem;
  • dificuldade de transmitir recados;
  • dificuldade de localizar o som;
  • troca de letras na fala (principalmente das letras l e r) ou na escrita, com a inversão das letras b, d, p e q;
  • troca de sons semelhantes, como p/b, t/d, f/v, m/n.

Como é feito o diagnóstico?

Como é feito o diagnóstico?

O fonoaudiólogo é o profissional mais indicado para realizar o diagnóstico do DPAC. São feitos testes selecionados para a avaliação de acordo com a faixa etária, a capacidade de respostas e os sintomas apresentados. Uma audiometria é realizada para descartar perda auditiva. Os testes simulam situações de escuta difícil, ou seja, que exigem bom desempenho das habilidades auditivas.

Assim, conforme os resultados, é indicado um tipo de tratamento e de acompanhamento em um centro auditivo, para que o paciente receba o atendimento adequado por meio dos profissionais que auxiliarão na adaptação.

Há tratamento para o DPAC?

Há tratamento para o DPAC?

Se o profissional constatar que o indivíduo de fato apresenta o DPAC, deverá ser realizado um treinamento auditivo, que pode ou não ser feito utilizando equipamentos específicos para monitorar os estímulos sonoros. Ainda, são estimuladas as habilidades da audição por meio de estratégias auditivas, bem como da fala, da escrita e da memória.

Dependendo do caso, pode ser recomendada a utilização de aparelhos auditivos para complementar o tratamento e otimizar os resultados, pois eles ampliam a capacidade de ouvir do paciente.

O tratamento com profissionais capacitados é imprescindível para que o indivíduo consiga ter uma qualidade de vida melhor, possa interagir socialmente, não se isole e não tenha sua autoestima nem sua vida acadêmica prejudicadas.

As pessoas que convivem mais intimamente com quem tem DPAC podem (e devem) auxiliar no tratamento. Para isso, o ideal é se certificar de que a pessoa está pronta para ouvir e olhando para o interlocutor.

Falar frases curtas, simples e de maneira pausada também ajuda muito na compreensão da mensagem e na atenção na conversa. Outro ponto que ajuda bastante é reduzir, sempre que possível, os ruídos no ambiente.

Portanto, o distúrbio do processamento auditivo é um problema realmente sério, que precisa ser diagnosticado da maneira correta para que não seja confundido com outras disfunções. Somente dessa forma será possível prescrever o tratamento adequado para melhorar o bem-estar e a qualidade de vida da pessoa com DPAC, evitando prejuízos no convívio social, na aprendizagem e na autonomia.

Agora que você compreendeu o que é esse distúrbio, que tal saber mais sobre problemas de audição? Não deixe de ler nosso post para conhecer os graus e os tipos de perda auditiva. Boa leitura!

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