Perda auditiva congênita: como reduzir os impactos desse problema

Perda auditiva congênita: como reduzir os impactos desse problema

A linguagem é um dos atributos mais importantes nas relações sociais. Já imaginou como seria a comunicação para alguém que tem dificuldades na fala ou na audição? Imagine, então, o que uma pessoa passa quando já nasce com essa condição, como no caso da perda auditiva congênita.

Diante dos impactos na vida do indivíduo, é de suma importância a realização do diagnóstico e do tratamento precoce. Ressaltamos desde já que é perfeitamente possível levar uma vida sem muitos problemas e com autonomia assegurada.

Que tal conhecer um pouco mais sobre essa condição? Continue a leitura deste post e entenda tudo sobre a surdez congênita!

O que é a perda auditiva congênita?

Antes de tudo, é preciso entender o conceito da patologia em questão. A surdez é caracterizada pela incapacidade de escutar os sons ambientais, seja totalmente, seja parcialmente.

Quando nos referimos a essa condição no período congênito, significa que ela está presente desde o nascimento do indivíduo, ou ainda tendo sido adquirida no período neonatal.

As causas são diversas e refletem a influência genética e ambiental para acometimento da audição. Como já dito, o indivíduo pode nascer com a perda auditiva ou desenvolver a condição durante os primeiros dias de vida. Portanto, quando nos referimos ao primeiro caso, podemos citar como causas:

  • má-formação anatômica — referente ao aparelho auditivo;

  • prematuridade — nascimento prévio às 37 semanas de gestação;

  • baixo peso ao nascer — inferior a 2500g;

  • infecções congênitas — rubéola, por exemplo.

Por outro lado, há algumas causas para desenvolvimento da surdez no período neonatal, como:

  • internação em UTI, principalmente quando ultrapassa 5 dias e há antibioticoterapia;

  • icterícia neonatal — hiperbilirrubinemia nos primeiros dias de vida;

  • otites — inflamação do ouvido externo, médio ou interno;

  • meningite bacteriana — inflamação de membranas encefálicas.

Por fim, mencionamos também que o uso de alguns medicamentos gestacionais ou neonatais podem favorecer a perda auditiva.

Como é feito o diagnóstico da doença?

Agora que você já sabe o que é a surdez congênita e quais são suas principais causas, é preciso entender como é feito o diagnóstico. O médico responsável é o otorrinolaringologista, e geralmente a doença é detectada até os 3 anos de idade.

Há casos em que o diagnóstico é tardio, mas quanto mais cedo realizado, melhor, visto que haverá menos impacto na linguagem e na fala.

O principal teste de triagem auditiva neonatal é chamado de Teste da Orelhinha. Ele é realizado enquanto o recém-nascido ainda está no hospital, entre as 24 e 48 primeiras horas de vida, antes de receber alta.

Por meio desse teste, é registrada a energia que parte da cóclea em resposta a estímulos sonoros emitidos no conduto externo. Caso seja detectada alguma anormalidade, é preciso realizar um teste mais específico chamado BERA.

Por sua vez, esse exame é eletrofisiológico, avaliando tanto as vias auditivas periféricas quanto as centrais. É necessário, ainda, classificar a perda em relação ao seu grau para direcionar melhor a conduta de tratamento posterior.

Reforçamos que a detecção pode ser tardia e, nesses casos, a acuidade auditiva é o principal indicador. Dessa forma, o comportamento da criança diante de estímulos pode refletir na dificuldade auditiva, como atraso na fala ou falta de reação a chamados.

Qual é o tratamento para a condição?

Uma vez diagnosticada a perda auditiva congênita, é preciso iniciar o tratamento visando uma melhor recuperação.

As condutas a serem adotadas precisam considerar o grau da perda auditiva, classificada durante a realização dos exames complementares. Os graus podem variar entre leve, moderado, severo e profundo.

Independentemente da classificação, é fundamental que as vias auditivas comecem a ser estimuladas para um posterior desenvolvimento. Isso é feito por meio de dois equipamentos: aparelho auditivo ou implante coclear.

O aparelho auditivo é o tratamento adotado para os graus de perda menos intensos. Assim, há o ajuste de um equipamento que vai proporcionar ao indivíduo uma melhor escuta dos sons ambientes.

Quando o grau de perda retrata uma condição mais severa, o ideal é realizar um implante coclear. Embora seja um procedimento cirúrgico, seu risco é mínimo. A função desse equipamento é transformar o som comum em um ruído elétrico, que será captado pelo nervo auditivo.

Quais são os impactos psicossociais dessa perda auditiva?

Deixando de lado as questões biológicas envolvidas na condição, é preciso abordar um âmbito muito relevante do tema: os impactos psicossociais.

A linguagem é dos aspetos mais afetados pela perda auditiva. Uma vez estabelecida a dificuldade de escutar, há consequentemente uma dificuldade de compreender aquilo que é repassado.

Falando especificamente das crianças, um dos ambientes mais frequentados por elas são as escolas. Nesse local, a surdez congênita pode proporcionar uma dificuldade na socialização com os colegas de classe, além de diminuir a concentração nas atividades.

Vale ressaltar que, diante da concentração reduzida para realizar tarefas, a perda auditiva congênita, quando não detectada, pode ser confundida com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

Uma das consequências da dificuldade de estabelecer comunicação é o isolamento social. É preciso que a família e a escola estejam atentas para que isso seja evitado e a criança não desenvolva patologias associadas ao psicológico e à autoestima.

Também é preciso ressaltar o impacto familiar, pois durante a gestação e o desenvolvimento da criança, são criadas diversas expectativas por parte dos pais em relação aos seus filhos.

O desejo dos genitores é que seus descendentes cresçam de forma saudável, mas quando detectada uma condição que foge dos padrões de normalidade, há o desconhecimento de informações sobre o tema e o apego aos comportamentos sociais estigmatizados.

Como minimizar os impactos dessa condição?

Finalizamos, então, dando dicas de boas práticas para que sejam minimizados os impactos negativos da perda auditiva.

O principal ponto que soluciona a maioria dos problemas é a informação. Quando há o diagnóstico, a família deve se informar com fontes confiáveis sobre os mais diversos aspectos associados à patologia.

É de suma importância a orientação por parte de profissionais especializados, desenvolvendo terapias de tratamento multidisciplinar. Se preciso for, é ideal fazer o acompanhamento psicológico da família e da criança, a fim de melhorar a forma de lidar com a condição.

Já no ambiente escolar, a equipe de colaboradores deve passar por treinamentos de capacitação para proporcionar uma melhor inclusão social e aprender a reagir às situações que serão vivenciadas no local.

Isso envolve, ainda, promover a conscientização das outras pessoas presentes no ambiente escolar, como os demais alunos e até mesmo seus pais. O resultado disso será a integração e a anulação dos impactos sociais nos principais ambientes infantis.

Esperamos ter elucidado os principais aspectos referentes à perda auditiva congênita. Sabe-se que a incidência mundial da doença é 1 para cada 1000 nascidos, retratando uma condição mais comum do que se pensa. É preciso, então, manter a sociedade bem informada acerca do assunto, a fim de promover o diagnóstico e o tratamento precoce, além de reduzir os impactos sociais.

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