8 tipos de surdez que você não sabia!

8 tipos de surdez que você não sabia!

A perda auditiva ou surdez acontece quando o indivíduo apresenta redução da habilidade de escutar. A pessoa pode ter dificuldade para acompanhar diálogos e ouvir sons ambiente, ou até mesmo, não conseguir escutar absolutamente nada.

O envelhecimento e a exposição a ruídos são as principais causas conhecidas da perda auditiva, mas existem diversos outros tipos de surdez que são causados por diferentes fatores, além daqueles já presentes no nascimento.

Para que você entenda melhor sobre o assunto, elaboramos este texto falando sobre oito tipos de surdez que você provavelmente não conhece. Confira!

1. Perda auditiva relacionada à idade

A perda auditiva relacionada à idade é a mais conhecida entre as pessoas e também pode ser chamada de presbiacusia.

Esse tipo de perda auditiva está relacionado diretamente com o envelhecimento. Ela ocorre, pois, ao longo dos anos, as células ciliadas, presentes na cóclea, vão se deteriorando, o que causa progressiva piora na audição. Essas células são as responsáveis por enviar os sinais sonoros que chegam ao ouvido para o cérebro.

Com o envelhecimento, alguns tipos de células perdem a capacidade de se multiplicar. Isso faz com que haja um acúmulo de pigmentos entre as células e a alteração nos fluidos intercelulares. O labirinto (região do ouvido responsável pelo equilíbrio) e outras estruturas também sofrem alterações, e tudo isso junto pode levar à perda da audição.

A principal característica desse problema é a perda progressiva de audição em ambos os ouvidos. A dificuldade para ouvir é maior ainda em ambientes sociais, onde há mais ruídos ao fundo (como músicas ou barulhos de conversas de outras pessoas). Além disso, o idoso pode sentir vertigens, perda de equilíbrio e passar a escutar um zumbido no ouvido.

Esse tipo de surdez costuma ser verificado a partir dos 60 anos, mas algumas pessoas só a manifestam muito mais tarde. Fatores ambientais, como o tabagismo, influenciam no aparecimento dessa degeneração auditiva.

O tratamento normalmente é baseado no uso de aparelhos auditivos. Atualmente, há uma grande variedade de modelos no mercado, permitindo ao idoso experimentar vários deles para ver qual tem a melhor adaptação. Alguns são bem pequenos e discretos, o que também contribui para a autoestima do idoso.

2. Perda auditiva induzida por ruídos (PAIR)

A PAIR é um tipo de perda auditiva que é causada pela exposição prolongada a altos níveis de ruídos. É comum que ela esteja ligada à perda auditiva ocupacional, e é frequente em pessoas que têm trabalhos com grande exposição a barulhos, como músicos, comissários de bordo, enfermeiros, trabalhadores da construção civil, metalúrgicos, telesserviços, entre outros.

Ela pode ser causada por uma exposição única a um barulho muito alto, como uma explosão, por exemplo. Ou pode-se desenvolver a partir da exposição prolongada a sons menos intensos, como maquinários de fábricas, instrumentos musicais em shows e outros sons.

Se os ruídos estiverem na faixa de até 75 decibéis, provavelmente não serão prejudiciais. Mas dos 85 decibéis em diante, já há o risco de que danifiquem o aparelho auditivo.

Quem sofre desse tipo de surdez pode identificar logo o problema ou levar anos até percebê-lo. A PAIR pode afetar um ouvido só ou os dois, e ela não tem idade para acontecer, ou seja, crianças e adolescentes podem ser afetados por essa surdez.

Os danos causados pelos ruídos são progressivos, de forma que a perda vai aumentando ao longo do tempo e não melhora mesmo após o afastamento do trabalho.

Infelizmente, ainda não existe um protocolo de tratamento para esse tipo de perda auditiva. Quando a pessoa percebe que está com mais dificuldade para ouvir, o mais indicado é procurar um otorrinolaringologista ou um fonoaudiólogo para fazer uma avaliação audiológica. A partir daí, o paciente deverá iniciar um processo de reabilitação da audição, que pode restaurar em algum grau a capacidade auditiva.

Mas nesse caso de surdez, a prevenção é o melhor caminho, e isso é feito por meio do uso de equipamentos de proteção sonora, como tampões de ouvido, e estabelecimento de tempo máximo para exposição a sons mais altos. Além disso, é muito importante observar o volume de aparelhos como televisão e fones de ouvido. Quem ouve música muito alta tem chances de desenvolver uma PAIR.

3. Surdez congênita

surdez congênita é aquela que está presente no nascimento, o bebê já nasce com algum grau de perda auditiva. Estima-se que a cada mil crianças nascidas, quatro apresentem a surdez congênita.

A deficiência se desenvolve durante a gravidez e pode ser causada por diferentes fatores:

  • fatores genéticos;
  • medicamentos tomados pela gestante;
  • infecções adquiridas durante a gestação (sífilis, rubéola, toxoplasmose, herpes);
  • fatores que afetam a audição logo após o nascimento do bebê (falta de oxigenação durante o trabalho de parto, infecções hospitalares, prematuridade).

Algumas síndromes genéticas têm a surdez como uma das características. É o caso, por exemplo, do Down, da síndrome de Usher, de Treacher Collins e de Crouzon. A surdez congênita também é característica da síndrome de Alport, que está ligada ao cromossomo X — sendo, portanto, mais frequente em meninas.

Algumas causas da surdez congênita não são possíveis de serem prevenidas, mas outras, sim. Por isso, na gravidez, é fundamental a mulher realizar seus exames pré-natais de forma frequente e nos períodos corretos. Esse acompanhamento permitirá evitar alguma malformação no feto, ou já se preparar para uma possível surdez quando o bebê nascer.

É importante que o diagnóstico seja feito o mais precocemente possível, para que as intervenções necessárias sejam realizadas com a criança mais rapidamente. O tratamento é feito com o uso de aparelhos auditivos convencionais ou implante coclear.

4. Perda auditiva causada por infecções

Como citamos, as infecções que a gestante contrai durante a gravidez podem causar surdez no bebê antes do nascimento. Mas infecções adquiridas durante a infância e a vida adulta também causam dano às estruturas envolvidas na audição e levam à perda auditiva de diferentes níveis.

Uma infecção no ouvido pode levar à formação de secreção, que vai obstruir o movimento do tímpano e dos ossos do ouvido. Esse tipo de surdez é chamado de perda auditiva condutiva e afeta o ouvido externo (orelha) ou médio, mas não o nervo auditivo.

O ouvido médio se movimenta para enviar os sons para o nervo, e qualquer obstrução nessa parte (até o excesso de cera) pode fazer com que os sons não consigam passar pelo ouvido, daí a perda auditiva. Nesses casos, ela costuma ser temporária e desaparece depois do tratamento.

Além das infecções nos próprios ouvidos, algumas doenças infecciosas bacterianas, virais ou fúngicas também podem afetar a orelha externa, média ou interna, causando diferentes danos à audição. As principais infecções relacionadas à surdez são: meningites, encefalites e, claro, as otites.

É fundamental que a doença seja identificada precocemente e tratada de forma correta. Senão, o comprometimento do sistema auditivo pode ser mais sério.

A prevenção da surdez, nesses casos, passa pela prevenção e tratamento das próprias infecções. Isso pode ser feito por meio de check-ups periódicos de saúde e, para alguns casos, vacinas.

A vacina da gripe em grupos de risco, por exemplo, diminuem as chances de uma infecção de ouvido e garganta.

5. Perda auditiva causada por alterações na tireoide

O hipotireoidismo é a condição na qual a glândula tireoide não produz adequadamente os hormônios tireoidianos, responsáveis pela regulação do metabolismo corporal. Essa doença causa diminuição geral das funções orgânicas, com lentidão do metabolismo e alterações de vários sistemas do corpo.

A doença também está relacionada ao surgimento de zumbido e diminuição da acuidade auditiva, com perda da audição no longo prazo. Acredita-se que o comprometimento da microcirculação sanguínea causada pelo hipotiroidismo pode prejudicar os órgãos auditivos.

O hipotiroidismo deve ser tratado, para evitar a perda auditiva e outras alterações. O tratamento é feito com a reposição hormonal com a L-tiroxina, medicamento sintético que imita o hormônio que é produzido pela tireoide.

Mais uma vez, nesse caso a surdez é um sintoma de um problema subjacente. Para evitá-la, é necessário evitar e tratar corretamente a disfunção na tireoide. O iodo é o principal mineral relacionado ao bom funcionamento dessa glândula, e ele está presente em frutos do mar e em peixes como a cavala, o bacalhau e a pescada.

O nosso sal de cozinha também é enriquecido com iodo — mas nesse caso, há que se ter cuidado dobrado com o excesso de ingestão, para não desenvolver hipertensão. A quantidade ideal de iodo são 150 microgramas por dia, quantidade presente em um terço de colher de chá de sal.

6. Perda auditiva relacionada a medicamentos

Outro tipo de surdez, que normalmente não é conhecida, é a perda auditiva relacionada a medicamentos. Alguns remédios, chamados de ototóxicos, podem causar danos à audição quando utilizados por longos períodos ou em doses elevadas. Na maior parte dos casos, a perda auditiva é temporária, mas, se forem mais graves, os danos podem ser permanentes.

As substâncias tóxicas presentes nesses medicamentos costumam afetar as células ciliadas da cóclea, a estria vascular e o vestíbulo.

Os principais medicamentos ototóxicos você conhecerá nos próximos tópicos. Continue a leitura!

Ácido acetilsalicílico

Presente em medicamentos para dor de cabeça e para afinamento do sangue, o chamado AAS pode induzir à perda auditiva temporária. Para isso, são necessárias grandes doses do medicamento, como 8 a 12 comprimidos por dia.

Anti-inflamatórios não esteroides

Os dois mais comuns são o ibuprofeno e o naproxeno. Pesquisas da Universidade de Harvard associaram o uso prolongado desses medicamentos à perda de audição, principalmente em mulheres. Essas substâncias são bastante comuns e estão presentes em remédios para dor de cabeça, dores musculares e outras inflamações.

Antibióticos

Os antibióticos de tipo aminoglicosídeos, que têm atividade bactericida, têm como um de seus efeitos colaterais a surdez. Alguns desses medicamentos, com a estreptomicina, são usados no tratamento da tuberculose.

Mais recentemente, uma pesquisa publicada no Journal of Cystic Fibrosis trouxe dados de que os aminoglicosídeos intravenosos usados para o tratamento da fibrose cística também podem afetar a audição.

Medicamentos quimioterápicos

Alguns medicamentos usados no tratamento do câncer, como a cisplatina, carboplatina e a bleomicina têm mostrado, como efeito colateral, a perda auditiva nos pacientes.

Em alguns casos, como no tratamento de doenças graves, não há muito o que possa ser feito, pois trata-se de uma escolha infelizmente muito difícil. No entanto, essa informação é fundamental para evitar a automedicação. Qualquer remédio tem efeitos colaterais que não podem ser ignorados. Por isso, é recomendado que o paciente sempre consulte um médico antes de começar a tomar qualquer substância.

Para quem precisa iniciar um tratamento com algum desses medicamentos, é interessante realizar exames audiológicos e um teste auditivo antes do início do protocolo. Assim fica mais fácil identificar se o tratamento começar a afetar a audição e pedir providências ao médico.

7. Perda auditiva causada por perfuração de tímpano

O tímpano é uma membrana fina de pele que fica localizada entre o canal auditivo e o ouvido médio. O ar que entra em contato com o tímpano vem pelo ouvido externo, de um lado, e pela boca, através da tuba auditiva que conecta o ouvido médio e a garganta. Há um equilíbrio de pressão entre os dois lados do tímpano, de modo que ele pode se mover.

Ele vibra quando é atingido pelo som, contribuindo para o processo de audição e as sensações sonoras. Por ser muito fino, pode se romper facilmente, como nos casos de:

  • pressão forte contra a membrana (tapa, beijo);
  • inserção de objetos pontiagudos na orelha;
  • infecção no ouvido médio;
  • sons altos ou explosões.

O dano local pode levar à perda de audição. As perfurações menores podem fechar espontaneamente, mas as maiores podem necessitar de intervenção cirúrgica.

8. Perda auditiva transitória

A perda auditiva transitória também é conhecida como mudança transitória de limiar auditivo. Ela normalmente acontece de forma repentina, após exposição a sons intensos e altos, como após um show ou após uma explosão. No primeiro momento, a pessoa pode ter a sensação de “ouvido tampado” ou zumbido, que evolui para algum grau de perda.

Se o problema ocorrer, o ideal é se afastar das fontes de ruído e ir para um lugar calmo e silencioso. O tempo de recuperação da audição depende da intensidade do ruído ao qual a pessoa foi exposta, e pode variar, levando de horas a dias.

A melhor forma de prevenir esse tipo de surdez é evitar se expor a barulhos muito intensos. Além de evitar uma perda auditiva transitória, você ainda evita o desenvolvimento de uma PAIR, que pode ser uma condição mais séria.

A audição é uma das nossas portas para o mundo e, por meio dela, podemos ter acesso a experiências sensoriais que ficarão guardadas em nossa memória por vários anos. Por isso, é fundamental cuidar bem da audição e evitar, tanto quanto possível, os tipos de surdez que descrevemos neste post. Caso alguma delas aconteça, procure um especialista o mais rapidamente possível para o tratamento.

Está sentindo que sua audição já não é mais como era antigamente? Entre em contato conosco! Ficaremos felizes em ajudá-lo a ouvir melhor!

 

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