Perda auditiva ocupacional: saiba o que é e como prevenir

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Perda auditiva ocupacional: saiba o que é e como prevenir

A exposição a agentes danosos à saúde no trabalho pode trazer perdas irreversíveis para a nossa vida. Um exemplo corriqueiro desse risco é a perda auditiva ocupacional, que vem ganhando destaque e atenção na segurança do trabalho. Nos Estados Unidos, ela já configura a principal afecção de saúde relacionada ao ambiente ocupacional.

Outro nome que podemos dar a essa doença é Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR). Damos o nome “ruído” a qualquer estímulo sonoro indesejável, mas ele não é o único que contribui para essa condição: calor, vibração e exposição a substâncias químicas também podem ajudar a declinar a acuidade auditiva.

Nesse post, explicaremos os conceitos principais da PAIR. Falaremos sobre seus sintomas, quais profissões estão mais predispostas a ela e como preveni-la em um ambiente de risco. Por fim, abordaremos o aspecto legal da doença e quais direitos trabalhistas estão envolvidos. Vamos lá?

Quais os sintomas da perda auditiva ocupacional?

Muitas vezes, o declínio da acuidade auditiva ocorre de forma gradual, quase que imperceptível. Por esse motivo, é importante que nos atentemos às mudanças, mesmo que sutis, em nossa audição. Quanto mais cedo percebermos a perda auditiva, mais fácil será tratarmos e maiores serão as chances de preservar a audição.

Sinais precoces de perda auditiva ocupacional podem ser uma demanda cada vez maior de aumento da intensidade dos sons: o paciente acometido pode solicitar que quem conversa com ele fale mais alto, ou ouvir rádio em um volume anormal. A intolerância a sons intensos também pode ocorrer, gerando dor ou desconforto.

A exposição prolongada a ruídos não afeta exclusivamente a audição. Quem conviveu com ela pode desenvolver também dores de cabeça, tonturas, irritabilidade e zumbido nos ouvidos. Como são sintomas inespecíficos, o melhor a se fazer caso apresente algum deles é procurar um especialista para avaliação.

Quais as profissões mais acometidas?

O declínio auditivo é considerado multifatorial: não apenas a exposição ao ruído está relacionada ao seu desenvolvimento, mas também predisposição e outros fatores. Ainda que as profissões que listaremos a seguir não sejam mandatórias da doença, é importante se atentar aos seus riscos. Falaremos individualmente das principais ocupações relacionadas à PAIR a seguir.

Profissionais de trânsito

O tráfego, principalmente em metrópoles e grandes cidades, não é apenas estressante: ele pode também ser danoso à saúde e trazer perdas auditivas irrecuperáveis. Como esses profissionais estão constantemente expostos a ruídos de buzinas e motores, com o tempo, sua audição pode se deteriorar. Para a maioria dos cidadãos, no entanto, que pegam uma ou duas horas de trânsito diariamente, os efeitos são minimizados.

Dentistas

Acredite, o ruído da broca utilizada pelos dentistas não é irritante apenas para o paciente. O profissional exposto todos os dias às ferramentas utilizadas na Odontologia também está em risco de perda auditiva. Além da PAIR, os dentistas estão predispostos a infecções, acidentes perfurocortantes e maior incidência de doenças mentais.

Profissionais de áudio

O motivo pelo qual DJs e músicos estão mais propensos à PAIR é implícito à sua profissão: lidando continuamente com ruídos, muitas vezes em uma intensidade acima do recomendado, a lesão auditiva pode se intensificar. Para esses profissionais em específico, é altamente recomendado o uso de protetores auriculares e o controle da intensidade do som.

Professores

Lidar com alunos continuamente também pode predispor a problemas auditivos. Nessa categoria, os profissionais que lidam com crianças são ainda mais desfavorecidos, devido à maior exposição ao ruído. Nesses pacientes, o exame auditivo deve ser implementado à rotina de exames realizados na promoção à saúde.

Como prevenir a PAIR?

Agora você já sabe o conceito da perda auditiva ocupacional e quais profissões estão em maior risco. Caso evidencie algum fator agravante da perda auditiva em seu ambiente laboral, é fundamental que você tome alguns cuidados. É também importante cobrar da empresa ações voltadas à prevenção de perda auditiva, tornando a proteção um ato conjunto.

Os programas que podem ser usados são o PPRA, o PCA e o PCMSO. A primeira sigla significa Programa de Prevenção de Riscos Ambientais; a segunda, Programa de Conservação Auditiva; e a terceira, Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional. Eles visam um conjunto de ações para evitar acidentes no trabalho e desenvolvimento de doenças auditivas ocupacionais.

Além dessas medidas (já preconizadas e padronizadas), existem alguns cuidados que podem ser tomados para proteger a sua saúde auditiva. O mais conhecido é o uso de protetores auriculares individuais para os trabalhadores expostos a ruído excessivo: essa medida, ainda que simples, é, muitas vezes, negligenciada e pode ser fundamental para a prevenção da PAIR.

No ambiente de trabalho, é importante manter alguns cuidados em relação à doença: a adequação acústica a locais ruidosos pode, por exemplo, isolar uma sala de trabalho e diminuir a exposição ocupacional. Por fim, deve-se sempre manter uma manutenção adequada do maquinário utilizado laboralmente, isso porque o desgaste promovido pelo uso e peças soltas podem ser um importante foco de barulho e ampliar a intensidade do som.

Quais direitos do trabalho estão envolvidos com a PAIR?

A Lei nº 8.213/91 (art. 20, II) equipara doenças ocupacionais (das quais a perda auditiva ocupacional faz parte) a acidentes de trabalho. Por ela, portanto, as empresas podem ser responsabilizadas por negligência às condições de trabalho nocivas, como o excesso de ruído. Para esse processo, é necessário que haja o chamado “nexo causal”, que busca comprovar que o dano foi, de fato, causado por inadequação do ambiente de trabalho.

Para que haja responsabilização jurídica do empregador, é necessário que haja três critérios presentes: o dano (ou seja, a doença), o nexo causal e a culpa empresarial. Caso a perda de audição seja comprovadamente devido à exposição indevida ao ruído ocupacional, há ainda mais um aspecto a ser observado. Deve haver uma responsabilidade do empregador na manutenção desse ambiente, finalizando os critérios.

Nesse artigo, você pôde entender um pouco mais sobre a PAIR e suas sérias implicações na saúde. É importante manter-se sempre atento, pois os sintomas podem ser sutis e a doença pode não dar pistas de sua presença. Por fim, um cuidado constante com o ambiente de trabalho é sempre bem-vindo para a prevenção e a redução dos danos.

Agora que você conhece a perda auditiva ocupacional, que tal aprender um pouco mais sobre a diminuição da audição? Preparamos um artigo sobre os graus e tipos da perda auditiva! Confira!

Rosana Munhoz – Fonoaudióloga – CRFa 4028/MG

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