Quais são os graus de perda auditiva?

Quais são os graus de perda auditiva?

Quais são os graus de perda auditiva?

A perda auditiva é uma condição que reduz a capacidade do ser humano de escutar os sons, influenciando também na elaboração da linguagem e dificultando o estabelecimento de uma comunicação.

Entretanto, é importante ressaltar a existência de tratamento para as disfunções, sendo fundamental classificar os graus de perda auditiva, a fim de obter o laudo correto da patologia e, assim, definir a conduta adequada para cada caso.

Portanto, abordaremos neste texto sobre a graduação da perda, elucidando as características dos níveis e englobando aspectos biológicos e clínicos referentes às condições envolvidas. Continue a leitura!

Fatores que influenciam na perda auditiva

Fatores que influenciam na perda auditiva

Antes de tudo, é preciso compreender quais são os motivos mais associados com a perda auditiva. Para tanto, consideramos agora dois aspectos: o anatômico e o sensorial, sendo que ambos podem ocasionar disfunções em níveis diferentes.

A seguir, abordaremos sobre cada um deles. Confira!

Perda auditiva condutiva

A perda auditiva do tipo condutiva é aquela causada por um bloqueio na transmissão dos sons vindos da orelha externa, o meato, para a orelha média, onde estão localizados os ossículos.

As causas são, principalmente, devido ao acúmulo de cerume ou por colocar algum corpo estranho dentro do ouvido, mas também por:

  • otite média crônica (inflamação com secreção dentro da orelha);
  • otosclerose (calcificação que aumenta a rigidez do estribo e diminui a sua mobilidade);
  • ou perfuração timpânica.

O tímpano é a membrana que separa a orelha externo da orelha média e é responsável por vibrar e transmitir os sons para os ossículos, que se conectam.

Geralmente, a perda auditiva do tipo condutiva é parcial, ou seja, o paciente escuta alguns sons, e não leva a uma perda auditiva significativa.

A solução

Para a maioria dos casos, o tratamento clínico é a melhor opção. Mas, nos casos de perfuração ou de otosclerose, o tratamento cirúrgico é mais adequado para a recuperação do paciente.

Caso o tratamento clínico e cirúrgico não sejam satisfatórios para corrigir a perda auditiva, é possível utilizar os aparelhos auditivos externos que amplificam o som ou realizar um implante na cóclea com um aparelho auditivo de condução óssea que desvia os sons da orelha média.

 

 

Perda auditiva sensorioneural

Perda auditiva sensorioneural

A perda auditiva do tipo sensorioneural é causada por alterações dentro do ouvido interno ou nas vias nervosas de condução, que transmitem os sons por meio de impulsos nervosos para o sistema nervoso central.

Nesse tipo de perda auditiva, a integridade da membrana timpânica e dos ossículos estão preservadas, ou seja, a transmissão de sons da orelha média para a orelha interna está normal. Porém, essa informação não é transformada em sinais elétricos para que o cérebro possa processá-las.

A perda auditiva sensorioneural pode ser dividida de acordo com a localização da alteração:

  • a perda auditiva coclear ocorre pelo mau funcionamento das células sensoriais da orelha interna, chamadas de células ciliadas. Com isso, a cóclea não é mais capaz de transformar as informações sonoras que chegam da orelha média em impulsos nervosos enviados pelo nervo vestibulococlear ao cérebro;
  • já a perda auditiva retrococlear acontece quando a alteração que causa a perda está no próprio nervo, ou seja, a informação sonora chega corretamente na orelha interna, é processada pela cóclea e transformada em impulsos nervosos. Porém, o nervo vestibulococlear não é capaz de transmiti-los para o cérebro.

As causas para a perda auditiva do tipo sensorioneural são diversas, como a presbiacusia causada pelo envelhecimento, ruídos em excesso por longo tempo, trauma cranioencefálico ou até doenças infecciosas, principalmente a meningite.

A solução

Na maioria dos casos a perda é permanente e a indicação é utilizar os aparelhos auditivos tradicionais. O implante coclear é recomendado para os pacientes que apresentam perda auditiva sensorioneural severa, que já fizeram uso de algum aparelho auditivo e ainda assim não conseguem se comunicar de maneira eficaz.

Agora, se a perda for retrococlear (o nervo não estiver funcionando) ou se a cóclea estiver muito ossificada, o implante coclear não terá benefício nenhum. As alternativas possíveis para esses casos são o implante de feixe de eletrodos duplo ou, indo mais além, o implante de tronco encefálico.

Isso dependerá de cada especialista e da experiência de cada um com esses tipos de procedimentos.

Perda auditiva mista

A perda auditiva do tipo mista é a mais comum de ser encontrada. Como o próprio nome diz, é definida como a combinação da perda auditiva condutiva e da perda auditiva sensorioneural.

A otite crônica é a principal causa de perda auditiva mista, porque geralmente o tímpano e os ossículos são afetados, impedindo que a cóclea capte os sons e os conduza por meio de impulsos nervosos ao cérebro.

A solução

O tratamento para a perda auditiva mista é feito com a utilização de um dispositivo auditivo pelo paciente. Também pode ser realizado o tratamento específico para perda auditiva condutiva ou perda auditiva sensorioneural.

Por exemplo: a cirurgia de correção e restauração da função da orelha ou mesmo os implantes para desviar os sons.

Graus de perda auditiva

Graus de perda auditiva

Agora que você já conhece os aspectos relacionados com as condições auditivas, abordaremos a seguir sobre cada nível da classificação da perda, elucidando os decibéis envolvidos em cada um e os tratamentos associados. Veja!

  • leve (26 a 40 dBNA): o paciente escuta bem os sons das vogais, mas o som de algumas consoantes — como F, K, P, S e T — podem estar inaudíveis, assim como outros ruídos (por exemplo: o tique-taque do relógio);
  • moderado (41 a 70 dBNA): o paciente não ouve bem quase nenhum som da fala no nível de voz natural, sendo preciso falar bem alto para que ele ouça. Na prática, podemos relacionar essa perda com os sons fortes (por exemplo: o choro de um bebê e o ruído de um aspirador de pó). A comunicação fica bastante limitada já no grau moderado;
  • severa (71 a 90 dBNA): o paciente com perda auditiva severa não ouve nenhum som de fala, e poucos sons são percebidos (por exemplo: um latido de cachorro, as notas graves de um piano ou o toque de um telefone em volume máximo);
  • profunda (> 91 dBNA): o paciente com perda profunda não ouve nenhum som de fala e pouquíssimos sons do ambiente, como o um helicóptero, uma motocicleta e uma serra elétrica. São candidatos a realização do implante coclear os pacientes que não ouvem sons acima de 91 dBNA.

Normal

Ao nível normal são atribuídos de 0 a 20 decibéis. Nesse nível, o indivíduo consegue compreender perfeitamente desde os sons mais altos, como a turbina de um avião, até os sons mais baixos, como as folhas de uma árvore se movimentando na passagem de um vento.

Assim, a pessoa consegue correlacionar bem os sons com o ambiente inserido. Para manutenção disso, é importante preservar as células auditivas, evitando exposição aos sons muito elevados, por longo prazo.

Leve

O nível leve é correlacionado com 21 a 40 decibéis. Nessas condições, torna-se difícil a compreensão de ruídos, como os tons suaves, as falas e os cantos dos pássaros, principalmente quando o ambiente está barulhento.

Devido à dificuldade na compreensão de falas, é possível que as conversas sejam prejudicadas, necessitando, portanto, de um aparelho auditivo que facilite a comunicação.

Moderada

Nesse caso, a faixa de decibéis atribuída é de 41 a 70 decibéis. Os indivíduos com esse grau de disfunção não conseguem ouvir sons mais altos que os mencionados anteriormente.

Dessa forma, apenas sons como o de latidos de animais, bebês chorando ou de aspirador de pó são audíveis. É possível inferir, portanto, que as falas também são menos inteligíveis.

Assim, o aparelho auditivo figura como instrumento fundamental para manutenção da qualidade de vida das pessoas que possuem perda auditiva moderada.

Severa

Para condições severas, os decibéis variam entre 71 a 90 decibéis. Considerando a gravidade do caso, sons como os de telefone e os de falas são inaudíveis.

Para tratamentos desse tipo de caso, os aparelhos de audição oferecem benefícios significativos. Além disso, outras medidas podem ser atribuídas na conduta, como o aprendizado de libras e o desenvolvimento da leitura labial.

Profunda

Por fim, na perda profunda, os decibéis são superiores a 91. Nesses casos, grande maioria dos sons é incompreensível. Apenas sons como o de serras elétricas e motocicletas podem ser audíveis.

Na condição de perda auditiva profunda, é fundamental a utilização de um aparelho para auxiliar na captação do som. Em alguns casos, o paciente representa um bom candidato para receber um implante coclear.

Diagnóstico da perda auditiva

Diagnóstico da perda auditiva

Para finalizar, vamos abordar como é realizado o diagnóstico das condições. Reiteramos a necessidade de o exame ser realizado por um fonoaudiólogo, o qual diagnosticará a condição, classificá-la quanto ao grau e identificar o tipo de perda.

O exame complementar utilizado para rastreio é a audiometria. Nele, há a definição do menor limiar que representa a audibilidade do paciente em questão. Assim, são estabelecidos diferentes níveis de sonoridade, a fim de detectar qual representa o limite de audição daquela pessoa.

Por meio do laudo, é definido o melhor tratamento para a resolução do caso, buscando melhorar a qualidade de vida da pessoa, tanto no caso de disfunção causada por fatores genéticos quanto na adquirida ou decorrente do envelhecimento (presbiacusia).

Vale lembrar que a perda auditiva, além de prejudicar nas tarefas diárias, provoca uma dificuldade de comunicação, podendo levar o indivíduo ao isolamento. Com isso, ressalta o fato de que os impactos de condições biológicas também influenciam nas questões psicossociais do paciente.

Com este texto, procuramos elucidar sobre os graus de perda auditiva. Abordamos os principais aspectos vinculados com a condição, explicando questões anatômicas e sensoriais. Complementando, procuramos tornar mais tangível cada grau, associando os sons audíveis e inaudíveis na condição.

Quer aprender mais sobre o tema? Leia nosso artigo  Distúrbio do processamento auditivo: o que é e quais os sintomas?.

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