Misofonia: entenda mais sobre esse assunto

Misofonia: entenda mais sobre esse assunto

Misofonia: entenda mais sobre esse assunto

Há pessoas com fobias e aversões a várias coisas: aranhas, espaços fechados e altura são alguns exemplos amplamente conhecidos desse sentimento peculiar. Mas você por acaso já encontrou alguém com essa ojeriza a ruídos? Se sim, você já pode ter tido contato com a misofonia.

Ainda que pouco comum, a misofonia pode trazer prejuízos importantes à vida das pessoas, afinal, estamos a todo momento cercados por ruídos, não importa onde estejamos. Para quem sofre com a doença, é importante conhecer suas principais características e as possibilidades de tratamento.

Por isso, responderemos, neste artigo, as principais perguntas sobre a misofonia. Ao final, você saberá o que é a doença, como ela é diagnosticada e quais as possibilidades de tratamento. Vamos lá?

O que é a misofonia?

O termo misofonia é composto pelo prefixo “miso”, que significa aversão, e pelo sufixo “fonia”, que indica algum ruído. Essa condição ocorre quando pessoas têm qualquer reação negativa a um som específico — que pode ser o barulho de uma goteira, o mastigar de um chiclete ou um lápis batendo na mesa, por exemplo.

Para essas pessoas, ouvir o som em qualquer ambiente pode engatilhar uma reação desagradável. Ela pode ser descrita como uma agonia, um incômodo ou ser até insuportável, levando a pessoa a sair do local.

Para ser classificada como misofonia, essa ojeriza deve ocorrer apenas com sons específicos, em qualquer ambiente e com qualquer volume. Caso ela ocorra apenas com ruídos altos ou com qualquer barulho, é provável que o diagnóstico seja outro. Abordaremos doenças similares em alguns tópicos mais à frente.

Para facilitar o entendimento de uma doença tão subjetiva, é possível compará-la com uma condição mais conhecida: a tripofobia. Conhecida popularmente como “medo de buracos”, ela gera uma sensação similarmente desagradável quando pessoas veem muitos buracos — como em uma colmeia. Acreditamos que o sentimento da misofonia seja semelhante, porém, associada a sinais auditivos.

O que causa a misofonia?

O que causa a misofonia?

Infelizmente, nossa compreensão sobre essa doença ainda é muito limitada. O que sabemos é que ela não está necessariamente associada a um defeito auditivo: o problema está no processamento dos ruídos dentro do cérebro, que desencadeia nossos circuitos de sensações indesejáveis.

Alguns especialistas argumentam que, assim como ocorre na tripofobia, pode haver uma explicação evolutiva para a misofonia. Podemos ser “programados” desde o nascimento para evitar padrões repetitivos — que, na natureza, podem estar associados a predadores ou animais perigosos. O chocalho de uma cobra cascavel é um exemplo clássico dessa associação.

No entanto, essa programação natural se torna excessiva e disfuncional em nosso ambiente civilizado. Por esse motivo, a misofonia é considerada uma doença e pode trazer prejuízos reais ao seu portador. Falta de concentração e distanciamento social são exemplos das complicações da misofonia no dia a dia.

Misofonia, fonofobia e hiperacusia: qual a diferença?

Se você já procurou sobre o tópico, certamente se deparou com termos semelhantes, mas que não podem ser confundidos. Como mencionamos, a misofonia é caracterizada por uma aversão a sons repetitivos e específicos, independentemente de seu volume.

Fonofobia

A fonofobia é uma condição similar: nela, o indivíduo também tem uma resposta exagerada ao som, podendo gerar crises de ansiedade, ataques de pânico e desejo de fuga. No entanto, na fonofobia, essa reação geralmente está associada a ruídos abruptos, como uma sirene ou um prato caindo.

Assim como na misofonia, a fonofobia também deriva de uma resposta natural. Somos naturalmente programados para reagir a sons repentinos e inesperados, que podem significar um perigo real. No entanto, o problema está na resposta exagerada, que pode trazer prejuízos sociais e reduzir a qualidade de vida.

Hiperacusia

Na hiperacusia, também pode haver uma reação incômoda (ou até dolorosa) ao ruído. No entanto ela ocorre devido à dificuldade do ouvido em regular a percepção ao som: nessa condição, a pessoa percebe mesmo ruídos baixos como muito altos — que podem realmente causar desconforto.

Para essas pessoas, situações rotineiras podem ser percebidas como colocar o ouvido próximo a uma caixa de som em volume máximo. Como diz o ditado, é “de estourar os tímpanos”.

A hiperacusia pura é uma condição mais específica, relacionada a uma fraqueza nos músculos regulatórios do ouvido. Ela é descrita principalmente em uma condição chamada Paralisia de Bell, que causa a fraqueza em um lado do rosto. Ela pode estar relacionada a uma infecção viral, e geralmente se resolve espontaneamente.

Recrutamento

Há ainda outra condição semelhante à hiperacusia, chamada de recrutamento. Este sim é derivado da perda auditiva: quando ela ocorre em apenas algumas frequências, o ouvido tenta “compensar” a perda aumentando o volume dos sons percebidos. Com isso, a pessoa pode ter, também, uma percepção dolorosa e incômoda com alguns ruídos.

Como tratar a misofonia?

Como tratar a misofonia?

É importante salientar que a misofonia tem tratamento e que ele tem o potencial de melhorar a qualidade de vida dos pacientes, afinal, todas aquelas situações desagradáveis relacionadas aos ruídos podem ser minimizadas, ou até cessadas.

Como a doença pode ser confundida com casos mais sérios, como a perda auditiva, ela geralmente precisa da avaliação de um otorrinolaringologista. Não é incomum que sejam necessários alguns exames, como o audiograma, para afastar a possibilidade de doenças mais graves.

Caso seja confirmada a misofonia, no entanto, o tratamento passa a ser multidisciplinar: como ela envolve o processamento dos sons dentro do cérebro, o principal profissional envolvido no tratamento é o psicólogo.

Existem terapias específicas para a misofonia, que visam reduzir o impacto negativo da condição na qualidade de vida. Uma primeira abordagem envolve a mudança nos hábitos de vida, para afastar a possibilidade de ter os sentimentos engatilhados pelos ruídos.

Em um segundo momento, é possível “dessensibilizar” a pessoa aos ruídos que causam incômodo. Para isso, ela é exposta gradativamente ao ruído, em um ambiente controlado, para, aos poucos, reduzir o sentimento negativo. A terapia mais indicada para esse processo é a Terapia Cognitivo-Comportamental (popularmente conhecida como TCC).

A misofonia é uma condição que afeta diretamente a qualidade de vida. Embora não tenhamos cura para ela, é possível tratá-la e devolver ao paciente seu bem-estar, reduzindo o impacto da doença no dia a dia. Conhecer as outras condições que podem ser confundidas com ela pode ser útil para que você procure o profissional certo na hora certa.

E você, já notou algum sintoma parecido com os que destacamos neste artigo? Se sim, conte para nós nos comentários! Estamos à disposição para tirar dúvidas a respeito da doença.

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